Psicóloga / Psicanalista Flavia Bonfim - Atendimento - Cursos - Eventos - Textos
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segunda-feira, 11 de abril de 2011

V ENAPOL - APRESENTAÇÃO E EIXOS TEMÁTICOS

A SAÚDE PARA TODOS NÃO SEM A LOUCURA DE CADA UM

"O Encontro Americano de Psicanálise de Orientação Lacaniana reunirá, pela quinta vez, a primeira no Rio de Janeiro, a comunidade do Campo Freudiano nas Américas nos dias 11 e 12 de junho de 2011.
O ponto de partida é o lema “saúde para todos”. Ao psicanalista, que vive no um por um, o slogan parece perigoso. Como não endossar, porém, essa generalização em nossas terras, onde a saúde de todos é sempre a de pouquíssimos? No entanto, na escassez contemporânea de ideais compartilhados para definir o que entendemos por “boa forma” ou “bem-estar” a promoção da saúde tende a confundir-se com a exigência ambiente de satisfação – saúde máxima e satisfação máxima, por todos os meios disponíveis. Para conter o sem limites dessa exigência, o remédio tem sido amargo. Da porcentagem de posse de bola em uma partida de futebol à de suicídios em uma mesma rua, do número de sanitários por moradia ao de ingressos vendidos para uma estréia, a quantificação da vida passa a guiar nossas opiniões e escolhas com seu enxame de índices e a vender, como ideal, uma gestão economicista da existência.
O “não sem” de nosso título convida a outro caminho. Esta expressão afasta a simples oposição entre seus termos. A loucura não será definida, como de hábito, como o contrário da saúde mental ou da razão, mas acrescenta-se a elas como condição imprescindível.
E que loucura? Estritamente a “de cada um”, aquela que materializa, em variadas maluquices, nossa fração mais singular. Ela destoa do conjunto de lembranças e comportamentos que constitui nossa identidade, sempre com um pé no universal. Sustenta o bizarro de um gozo mil vezes desconsiderado por não caber no que se é. Por isso é tão difícil dar-lhe voz. A loucura de cada um só se apresenta como resto, que quase nunca entra na conta sem, no entanto, nos deixar jamais, pois, afinal, só se é “não sem” ele.
Para abordá-lo, seguiremosas indicações de Jacques-Alain Miller na abertura do último PIPOL. Partiremos do papel, na invenção freudiana, “dos dejetos da vida psíquica, dejetos do mental, que são o sonho, o lapso, o ato-falho e mais além o sintoma ” . Levá-los a sério é o caminho do trabalho analisante, sempre às voltas com o que de nosso gozo se mantém “insocializável” e que exatamente por isso constitui o fundamento de nossa presença no mundo .
Concluindo o título, um subtítulo, “perspectivas da psicanálise”. Ele vem sugerir que possamos mergulhar as coordenadas acima nas inúmeras situações da cidade onde lidam aqueles que se orientam pelo ensino de Jacques Lacan. Talvez seja o momento de perguntar sobre o que atesta o inconsciente nestas situações. Nem sempre serão suas formações e sim o que ele nos ensina a céu aberto, como na psicose, ou descortina no campo dos dispositivos sociais. Poderemos sustentar, por exemplo, “Justiça, não sem a pena de cada um”? Ou ainda “Educação, não sem o fracasso de cada um”? De todo modo, assumiremos que, em cada caso, como afirma Miller, “n ão se trata somente de saúde, de cura, mas do que além do sintoma ou sob o sintoma é questão de verdade - de uma revelação de saber que carrega com ela a realização de uma satisfação e, se posso dizer, o desenvolvimento durável de uma satisfação superior”.
Os seguintes eixos podem ser delineados a partir dessas e de outras considerações do texto em questão:
1. As surpresas de uma fala: as formações do inconsciente e seus efeitos com relação às identificações exigidas pelo mestre contemporâneo;
2. A loucura que estrutura: a função da p aranóia e da debilidade na constituição do laço social, o sintoma como o singular que faz laço.
3. Artifícios de socialização: sublimação, invenção e a loucura de cada um .
4. Lei e gozo: a miragem do gozo do Outro, culpa e responsabilidade.
5. Sucessos e fracassos na educação: ou “quando o resto ensina”.
6. A quantificação da vida: a mística da avaliação e a eficácia da psicanálise.
Por essas vias o V ENAPOL convocará os textos que possam examinar nas mais diversas situações e instituições os efeitos do inconsciente de cada um – habitado pelo tanto de vida que não cabe na vida que se leva e feito de surpresa e encontro. A organização do evento, tendo à frente Alicia Arenas pela NEL, Marina Recalde pela EOL e eu pela EBP, já está em pleno trabalho. Aguardaremos suas contribuições. São elas que poderão materializar, na impressionante escala desta comunidade que constituímos, a marca da psicanálise sem a qual estaremos definitivamente entregues à triste saúde dos gestores.
Marcus André Vieira
Diretor do V ENAPOL"

ESSE TEXTO ENCONTRA-SE NO SITE DA EBP-Rio
Para mais informações, acesse http://www.ebp.org.br/enapol/

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A clínica psicanalítica no teatro....

DEBATE SOBRE O FILME "CISNE NEGRO"

Ana Lúcia Garcia de Freitas convida para o debate sobre o  filme " Cisne Negro", com a presença das psicanalistas Lúcia Mariano e Maria Silvia Hanna.


Data: 12/04/2011 ( Terça- feira)
Horário: 20:30 h



Realização: Seminário da EBP-Rio em Niterói.


Local: Rua Lemos Cunha, 442- Icaraí- Niterói - RJ




Para  iniciar e aquecer o debate, Ana Lúcia recomenda a leitura do texto de Malvine Zalcberg. Segue abaixo o artigo.

Cisne negro: perdendo-se na perfeição
MALVINE ZALCBERG - Doutora em psicanálise, autora dos livros A relação mãe e filha (2003). Rio de Janeiro: Campus; Amor paixão feminina (2007). Rio de Janeiro, Campus e Qu´est-ce qu´une fille attend de sa mère? (2010). Paris: Odile Jacob.

Resumo: Uma mulher aceita ocupar o lugar que o homem lhe reserva em seu desejo e fantasia enquanto que uma histérica o recusa. Embora o recuse, a histérica toma a mulher como referência para descobrir o que é ser uma, a que supostamente saberia o que é necessário para o gozo de um homem. Nina, a bailarina do filme Cisne negro, nem é mulher nem procura referência em outra. Quando o tenta, é para perder-se na escuridão.
Palavras-chave: mulher, feminilidade, sexualidade, mãe, filha.

 

Não há quem assista Cisne Negro, do cineasta Darren Aronosfky, sem se dar conta de que o desmoronamento psíquico da bailarina Nina, em torno do qual o filme se desenrola, deve ter algo a ver com a relação entre ela e sua mãe.

Filmes inspirados em impasses na relação mãe e filha têm constituído um filão muito explorado pelo cinema – Now,Voyager (Irving Rapper, 1942), com destacada atuação de Bette Davis, deve ter sido um dos primeiros. Cisne Negro aborda a questão sob um ângulo específico. A mãe de Nina não apenas projeta seus anseios narcísicos de bailarina frustrada, como a mãe musicista de Hillary and Jackie (Anand Tucker, 1998) ou a mãe possessiva de A professora de piano (Michael Haneke, 2001), dentre tantas outras figuras maternas devastadoras que o cinema produziu. Mantendo sua filha numa infância eternizada, Erica frustra a plena realização de um dos aspectos pelos quais deveria zelar: o de favorecer a passagem de menina para mulher.

A escritora Simone de Beauvoir enunciou que “a mulher não nasce uma, deve tornar-se mulher”2. Não conseguir realizar essa passagem “é a grande catástrofe” na vida de qualquer mulher, diz Freud3. Embora a essência da feminilidade não seja transmissível em si – cabe a cada mulher “inventar” uma feminilidade possível – é, entretanto, em torno dessa questão, que se desenrola um dos pontos essenciais na relação entre uma filha e sua mãe.

É da mãe (de quem mais?) que a filha espera uma resposta à pergunta essencial para a constituição de sua identidade feminina: “o que é ser mulher?”. Ela quer saber qual a solução encontrada pela mãe para a sua condição de mulher, que em sua forma mais feminina se expressa pela vontade de despertar o desejo de um homem.Essa pergunta que certamente Nina teria procurado fazer não encontrou na mãe a acolhida necessária.

A visão de Erica a respeito de um possível encontro sexual com o diretor artístico Thomas Leroy o demonstra: “Ele não fez nenhum avanço em relação a você, não é?”, pergunta a uma confusa e assustada Nina. Ela justifica seu desejo de afastar Nina dos homens, alegando querer evitar que sua filha cometa “o mesmo erro dela”, isto é, engravide. Não é surpreendente que Nina reaja ao beijo de Thomas com uma mordida, pura rejeição ao seu assédio. Evoca a reação de Dora, bem conhecida paciente histérica de Freud, à tentativa do Sr. K. de beijá-la, na famosa cena do lago que marcou a psicanálise4.

Nina, no entanto, não é histérica. Se, por um lado, a histérica se recusa a ser a mulher, por outro é à mulher que ela se refere. A mulher é, para a histérica, o que ela não sabe ser e este impossível é o ponto a partir do qual se decide sua posição de enunciação, como diz Lacan5. Aocontrário de Dora, que pede à Sra. K. para lhe dizer algo sobre a mulher e a sexualidade feminina, Nina não é uma mulher nem se refere a uma outra. Mantém-se afastada,
isolada, das outras moças bailarinas como ela, como se nesse mundo feminino não houvesse um lugar que pudesse ser dito seu.

O desejo de Erica tanto legisla sobre o destino sexual da filha, como impera sobre sua vida. Manter Nina como sua sweet girl (menina meiga), cercada de brinquedos, animais de pelúcia e uma caixinha de música, é procurar barrar qualquer acesso da filha ao campo da sexualidade feminina plenamente realizada. Se a devoção ao balé representa, por um lado, a prisão onde a fantasia materna a mantém encerrada, é, por outro, onde ela encontra, através de seu corpo exercitado à exaustão, um senso de existência. Esse mais que ela busca não é só a perfeição na dança – uma realidade do próprio balé –, mas também uma garantia deintegridade de um corpo que ela vive como ameaçado de diluir-se no vazio ou de ser (re) absorvido pelo corpo materno. O balé não é o que ela faz, mas o que ela é.

Por falta de uma palavra asseguradora a sustentar uma parte ignorada de seu ser, seu desejo não consegue dar um sentido à realidade e à sexualidade. Aplica-se, para Nina, a fórmula empregada por Freud para qualificar a natureza da feminilidade: “enigma”6.

Ao querer provocar em Nina a vivência de uma sensualidade feminina que ele imagina essencial para o desempenho do papel de cisne negro, Thomas faz balançar o frágil equilíbrio da jovem. Mais do que opor o bem e o mal, Thomas opõe a ingenuidade e a sensualidade femininas em sua “nova versão” do balé. Em Lily, a bailarina que vem
da ensolarada Califórnia para despertar a aprovação/admiração de Thomas, Nina vislumbra essa figura de mulher desejável, aquela que corresponde à exigência dele: a mulher que vive resoluta e abertamente sua sexualidade. É uma mulher que se “solta”; tem a qualidade feminina exigida por Thomas.

Nina fica fascinada por aquele corpo erótico de mulher e chega a sonhar com ele, em sua busca desenfreada de ter acesso (impossível, na realidade) ao enigma da sexualidade
feminina. Mas é igualmente a presença desse corpo fascinante de uma outra mulher que se torna altamente persecutório (“ela quer tomar meu lugar”, diz uma ameaçada Nina a Thomas) e dá início a seu delírio de perseguição e consequente perda de identidade. Procura livrar-se desesperadamente da infância, do cisne branco, jogando bichos de pelúcia na lixeira e tentando fechar a porta para a sua mãe. “Onde está minha meiga menina?”, pergunta a mãe. “Ela se foi”, responde Nina. Mas não há alguém para substitui-la. De menina para... nada.

Enquanto Lily é uma mulher que se solta sem se perder, Nina, “não-mulher” vai se soltar e se perder. Não podendo contar com uma identificação feminina constituída por elementos simbólicos e imaginários, sua cena psíquica será desde então dominada pelo real do gozo. Como Jacques Lacan ensinou, esses três registros da estrutura do psiquismo – simbólico, imaginário e real – devem estar enodados para que o sujeito possa dar conta da realidade. O que se solta em Nina é essa amarração entre os três níveis de estruturação psíquica, deixando-a entregue ao imperativo do excesso do gozo e do domínio das pulsões – o que seus atos de mutilação de seu corpo já prenunciavam.

A irrupção do real do gozo sem amarras nos registros do simbólico e imaginário exerce sobre Nina, sem uma identificação feminina que a sustente, uma atração vertiginosa. Ela “salta”, como recomendara Thomas, mas não da forma como ele havia pensado (“é seguro”, dissera), mas, sim, em resposta ao apelo do abismo. Nada mais a ancora à existência, deixando-a à deriva de seu modo de gozar aberto para o infinito, pura pulsão de morte.

Nina dança à perfeição a perda de si mesma.


1 Psicanalista, Doutora em psicanálise, autora dos livros A relação mãe(2003). Rio de Janeiro: Campus; Amor paixão feminina (2007).
e filha
Rio de Janeiro, Campus e Qu´est-ce qu´une fille attend de sa mère?
(2010). Paris: Odile Jacob.
2 Beauvoir, S. (1949). Le deuxième sexe. Paris: Gallimard, p. 354.
3 Freud, S. (1931). “Female sexuality”. In Standard Edition, vol. XXI.
London: Hogarth Press, p. 239.
4 Idem. (1905). “Fragment of an analysis of a case of hysteria (Dora)”.
, vol. VII, p. 46.
Op. cit.
5 Lacan, J. (2006[1971]). D´un discours qui ne serait pas du semblant.
Paris: Seuil, p. 155.
6 Freud, S. (1933). “Femininity”. Op. cit., vol. XXII, p. 113.

Ano 2 • Número 4 • Março 2011 • ISSN 2177-2673
Cisne negro: perdendo-se na perfeição

Malvine Zalcberg1
Opção Lacaniana online nova série


Funcionamento dos seminários: Segundas e quartas terças-feiras de cada mês.
Informações: 22874419 ou 21744416 

sábado, 2 de abril de 2011

ACONTECEU....

MESA REDONDA DE PSICANÁLISE - NITERÓI/RJ

Por Flavia Bonfim

Aconteceu neste sábado, dia 02/04/2011, a Mesa redonda "O DISCURSO PSICANALÍTICO NAS INSTITUIÇÕES" com os palestrantes: Cláudia Pitanga (Associação Fluminense de Reabilitação), Denise Jalles (Centro de Atenção Psicossocial Zé Garoto) e Rogerio Quintella (Universidade Salgado de Oliveira), sendo um marco nas atividades que envolvem a Pós-Graduação "Psicanálise: Perspectiva Clínico-Institucional" da Universo.

Denise Jalles foi a primeira a falar, com o trabalho: "Psicanálise no Coletivo: os Centros de Atenção Psicossocial e a prática entre vários." A psicanalista relatou sua experiência no Capsi de São Gonçalo, enfatizando a dimensão da "Prática entre vários" na rede de Saúde Mental versus uma postura de especialismo e defendeu a importância  do analista sustentar uma posição  de um não saber a priori  frente as questões do tratamento do sofrimento psíquico na psicose infantil e do autismo.

Posteriormente, Cláudia Pitanga apresentou o trabalho "A Psicanálise nas Instituições: apostas, desafios e perspectivas", no qual abordou o histórico da inserção do psicólogo no contexto institucional no Brasil. Além disso, ela falou sobre a tensão existente entre o discurso do analista e os outros campos saberes, bem como ressaltou  a especificidade do trabalho de escuta do psicanalista na instituição em sua aposta no aparecimento do sujeito e de seu desejo frente as questões que o acometem.

Por último, tivemos Rogério Quintella com o trabalho intitulado: "O Discurso do Analista nas Instituições e as propostas no campo da Pós-Graduação". Como o próprio título de sua apresentação sugeria, ele abordou os quatros discursos propostos por Lacan – Discurso universitário, Discurso do mestre, Discurso da histérica e Discurso do analista –  como via de pensar o lugar de objeto a do analista, como agente, a produzir um sujeito em contraposição a posição ocupada pelo mestre tão comumente reproduzido no âmbito institucional. Como coordenador da Pós-Graduação, Rogério também apresentou a proposta do curso, suas disciplinas e seus objetivos.
       
Posso dizer que foi uma manhã muito fecunda,  com "gostinho de quero mais", que permitiu aos ouvintes terem uma prévia de como será a Pós-Gradução.

ATENÇÃO!!!!!

Lembro que as  pessoas interessadas em cursar a especialização devem, por uma exigência do regimento interno da Universo, realizar a pré-inscrição para que as aulas se iniciem. A pré-inscrição não exige nenhuma taxa, serve apenas para efeito de formação da turma.  A pré-inscrição deve ser feita na Rua Marechal Deodoro, 263, Bloco B, 3o andar - Direção de Pós-Graduação, com a funcionária Marcela. Os documentos necessários são:Cópia do Diploma (pode ser cópia de Declaração de Conclusão de Graduação ou Histórico Escolar da Graduação concluída);
Cópia do RG e CPF
Cópia do comprovante de Residência
Cópia da certidão de nascimento ou casamento
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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Agenda da EBP - Abril de 2011






Noite Americana de Cinema – Rio de JaneiroExibição e debate do filme: Vincere  de Marco BellocchioDia: 01 de Abril, 19 horas
Local: Cine Santa. Largo dos Guimarães 136 – Santa Tereza, Rio de Janeiro – RJ.
Coordenação: Comissão Arte e Cultura do Enapol
Com: Angela Bernardes (EBP/AMP)
         Carlos de Aquino (Doutor em Literatura Brasileira - PUC-Rio e Prof. de Cinema e Literatura – Unilasalle)
         Stella Jimenez (EBP/AMP)

Seminário Preparatório para o V ENAPOL - Delegação Geral do Maranhão
A Saúde para Todos, não sem a loucura de cada umDia: 02 de abril - 9h às 12h e 15h às 18h
Local: UNDB – Av. Colares Moreira, 443 – Renascença II. Maranhão
Com: Antonio Beneti (Presidente da Escola Brasileira de Psicanálise)

Atividade preparatória para o V Enapol na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
PSICANÁLISE NÃO SEM A LOUCURA DE CADA UM Dia: 08 de Abril de 2011 às 14 horas
Local: Auditório RDC – PUC .  Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea. Rio de Janeiro-  RJ.
Com: Romildo do Rêgo Barros
Coordenação: Marcus André Vieira

Noite Americana na Médiathèque de la Maison de France no Rio de Janeiro
"A Loucura que estrutura"
Dia: 15 de abril, 18:30 horas
Local: Av. Presidente Antônio Carlos, 58 / 11º andar, Castelo. Rio de Janeiro- RJ
Apresentação de Ana Lúcia Lutterbach e Paula Borsoi Coordenação de Luis Moreira de Barros

Seminários praparatórios para o V ENAPOL - EBP - Minas Gerais
A loucura do sinthoma Dia: 19 de abril
Apresentação: Ram Mandil
Coordenação: Frederico Feu
Local: Sede da EBP-MG. Rua Felipe dos Santos, 588, Bairro de Lourdes , Belo Horizonte - MG

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Atividade da Diretoria da EBP – Seção-RioSeminário de Orientação Lacaniana
Dia: 4 de abril – 2ª feira, 21:00
Local: Sede da Seção-Rio
Coordenação: Stella Jimenez
Cartel: Stella Jimenez (mais-um), Angela Bernardes, Angela Negreiros, Maria Izabel Lins, Paulo Vidal
Encerramento do trabalho do cartel de Orientação Lacaniana do ano passado. Neste encontro serão apresentados os resultados provisórios das pesquisas.

- Angela Bernardes – Delírio e o feminino
A loucura feminina é mais da ordem da devastação ou da perdidice, se me permitem a expressão, do que do delírio. Entretanto há um delírio tipicamente feminino: a erotomania.

- Angela Negreiros – Delírio e Sujeito Suposto Saber

- Maria Izabel – Literatura e Delírio

- Paulo Vidal – Delírio e Ciência
Distinção entre possível e contingente, dado que Miller insiste no tema da contingência.

- Stella Jimenez – Delírio e Religião
Deus causa muitos delírios. Delírios místicos, possuídos, delírios de fé, delírios fanáticos, delírios psicóticos... é válido tentar determinar seus diferentes status para determinar um melhor manejo clínico?


EBP Rio: Rua Capistrano de Abreu, 14 – Botafogo – Rio de Janeiro - (21) 2539-0960

Lançamentos da Contra Capa Editora e Livraria Travessa....

quarta-feira, 30 de março de 2011

Sugestão de livro

LIVRO: AUTISMO E PSICOSE NA CRIANÇA

Organização: Jeanne Marie de Leers Costa Ribeiro e Kátia Álvares de Carvalho Monteiro

Coletânea de textos assinados por profissionais e estudantes que atuaram no Núcleo de Atenção Intensiva à Criança Autista e Psicótica (NAICAP), do Instituto Philippe Pinel, no Rio de Janeiro, apresenta o relato de suas experiências onde procuram elaborar algumas respostas às questões suscitadas na prática da clínica em instituições.

Editora: 7 Letras
Número de páginas: 210
Ano de lançamento: 2004

quinta-feira, 24 de março de 2011

AGENDA EBP-RIO

Dia 25/03 - Sexta-feira, exibição do filme 15:00 horas, debate 18:00 horas.Cinecien-Rio convida para o filme: "A Cidade das Crianças" (direção Nicolas Bari)

Na vila de Timpelbach, na França, as crianças afrontam os adultos todas as formas de autoridade. Impotentes, os adultos decidem abandonar o local, deixando-os a imaginar que todos partiram numa viagem. Quando as crianças se dão conta de que não existe um só adulto na vila, eles tomam conta de tudo, fazendo suas próprias leis.


Coordenação: Ana Martha Maia e José Alberto Ferreira

Debatedores:
- Sérgio Verani (Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e professor da UERJ
- Romildo do Rêgo Barros (Analista Membro da EBP-AMP e associado do ICP-RJ

Local: Escola Brasileira de Psicanálise - Seção Rio
Rua Capistrano de Abreu n 14 - Humaitá

Lacanoamericana 2011

C O N V I T E  
Convidamos a todos os interessados na Transmissão da Psicanálise, numa perspectiva lacaniana, para participar da Reunião Lacanoamericana de Psicanálise de Brasília, a realizar-se entre os dias 21 e 24 de setembro de 2011, no Hotel Royal Tulip Alvorada Brasilia.

 
Inscrições com desconto até 31/03/11

 

Instituições Convocantes:
Analyse Freudienne – França / Biblioteca Freudiana de Curitiba – Brasil / Centro de Lecturas: Debate y Transmisión - Buenos Aires – Argentina / Colégio de Psicanálise da Bahia – Brasil / Convocatória al Psicoanálisis. Institución Psicoanalítica de Mar Del Plata – Argentina / Convocatoria Clínica – Espacio Psicoanalítico (Buenos Aires) – Argentina / Escola Lacaniana da Bahía – Brasil / Escuela de Psicoanálisis Lacaniano – Argentina / Escuela de Psicoanálisis de Tucumán – Argentina / Escuela de Psicoanálisis Sigmund Freud (Rosário) – Argentina / Escuela Freudiana de Buenos Aires – Argentina / Escuela Freudiana de la Argentina – Argentina / Escuela Freudiana de Montevidéo – Uruguai / Escuela Freud-Lacan de La Plata – Argentina / Grupo de Psicoanálisis de Tucumán – Argentina / Institución Psicoanalítica de Buenos Aires – Argentina / Intersecção Psicanalítica do Brasil – Brasil / Lazos Institución Psicoanalítica de La Plata – Argentina / Letra Institución Psicoanalítica – Argentina / Maiêutica Florianópolis Instituição Psicanalítica – Brasil / Mayéutica Institución Psicoanalítica – Argentina / Práxis Lacaniana Formação em Escola – Brasil / Red de Psicoanalistas-Rosario – Argentina / Seminário Freudiano Bahía Blanca – Argentina / The Freudian School of Melbourne – Austrália / Traço Freudiano Veredas Lacaniana Escola de Psicanálise – Brasil

sexta-feira, 18 de março de 2011

ESCOLA BRASILEIRA DE PSICANÁLISE

SEMINÁRIOS EM NITERÓI - 2011

INICIO: 22/03/11
DURAÇÃO: MARÇO A DEZEMBRO - 2011


19:00 h - Tema: O objeto e os conceitos fundamentais da clínica psicanalítica
Coordenação: Maria Silvia Garcia Fernandez Hanna

20:30 h - Tema: A clínica na contemporaneidade
Coordenação: Ana Lúcia Garcia de Freitas   


SEGUE AS PROPOSTAS APRESENTADAS PELAS COORDERNADORAS:

  - Coordenação: Maria Silvia Garcia Fernandez Hanna
"Retomaremos as elaborações de J. Lacan sobre o inconsciente, a pulsão, a transferência e a repetição a partir do marco delimitado pelo objeto a na clínica psicanálitica.                                                                                      
Bibliografia:
Freud, S. Inibições, sintoma e angústia in Ob Completas, Imago Ed. RJ 1988.
Lacan, J. Seminário livro 10 “A angústia”, Zahar Ed. RJ.
Lacan, J. Seminário livro 11  “Os quatro conceitos fundamentais em psicanálise” , Zahar Ed. RJ"


- Coordenação: Ana Lúcia Garcia de Freitas    
                           
"Em 2010, nossa pesquisa buscou avançar na distinção entre a posição histérica e a posição feminina, a partir da leitura que Lacan fez da concepção do feminino em Freud. Este localizou a posição feminina na vertente do ter o falo e com a equivalência falo-filho posiciona a mulher no lugar da mãe.Lacan parte da teoria do primado do falo proposta por Freud, buscando possibilitar outras respostas acerca do feminino, enunciando a vertente do não ter o falo. Recorremos aos textos em que Lacan aprofunda as particularidades concernentes a posição feminina. Estudamos os seguintes textos:
Escritos: “ A Significação do falo”

               “ Proposta Diretivas para um congresso sobre sexualidade feminina”

Seminário do livro 4:   “ A função do véu”
                                     “ A identificação ao falo”
                                     “ O falo e a mãe insaciável”

Seminário do livro 5:   “ O desejo e o gozo”
                                     “ A menina e o falo”
                                     “ As insígnias do ideal”
                                     “ As fórmulas do desejo”
                                     “ As máscaras do sintoma”
                                     “ O significante, a barra e o falo”

Para 2011, daremos prosseguimento ao tema, situando a partir dos seminários 17, 20 e 23 como a concepção lacaniana localiza a posição feminina, ou seja, distinguindo de forma radical a maneira como os homens e as mulheres se situam diante da falta-a-ser: do lado do homem pelo gozo fálico, pela vertente do ter,enquanto, do lado da mulher, face a privação do pênis, pela vertente do ser, sendo objeto de desejo do homem. Aprofundaremos nossos estudos visando situar a posição feminina na contemporaneidade, através de textos afins e das reflexões teórico-clínicas realizadas no seminário clínico que intercala com o seminário teórico."

Local: Rua Lemos Cunha, 442- Icaraí- Niterói
Funcionamento: Segundas e quartas terças-feiras de cada mês.
Informações: 22874419 ou 21744416 
Pagamento mensal de R$ 10,00 para a manutenção do espaço.

quinta-feira, 17 de março de 2011

PRAXIS LACANIANA - CURSO DE FORMAÇÃO BÁSICA

Neste ano de 2011, no Curso de Formação Básica, a Escola Práxis lacaniana abordará a questão das psicoses. Entre outros textos, dois ocuparão o eixo principal das aulas: “O caso Schreber” de Freud e “As psicoses”, Seminário 3 de Jacques Lacan.
O inconsciente freudiano é isso, a incidência de algo completamente novo que, por sua posição, Freud fez entrar de maneira inesperada.
Nesse sentido, o que se propõe a fazer no Curso de Formação Básica é trabalhar com os conceitos de base e fundamento da psicanálise, que nos permitem ir encontrando as vias de acesso ao inconsciente e ao tratamento possível das neuroses, das perversões e, mais especificamente neste Curso, o das psicoses.

A Escola convida os interessados a participar desta atividade que contará com seis módulos, num total de vinte e cinco aulas, e terá início dia 06 de abril, às 16:30 :
  I – Psicose e Psicanálise (4 aulas)
 II – O fenômeno psicótico e seu mecanismo (4 aulas)
III – Psicose e Histeria (5 aulas)
IV – Estrutura e manifestação do significante na Psicose (4 aulas)
 V – O fenômeno clínico e sua ligação com o significante (4 aulas)
VI – A estrada principal e o significante ‘ser pai’ (4 aulas)

Maiores informações: 2704-8448 / 2710-3522

Fantasia, fição e as transformações do mundo subjetivo

Debate com os autores e lançamento do livro:
A psicanálise na Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia



Exposição:        
Diana L.Corso
(APPOA-RS)
Mário Corso  (APPOA-RS)


Debatedores:    
Benilton Bezerra Jr. (IMS-UERJ)  
Lulli Milman (Casa da Árvore)

Coordenadora:  

Silvia Zornig (PUC-Rio)


Dia: Sábado, 02 de abril de 2011
Hora: 10:00 hs
Local: Auditorio RDC - PUC-Rio

ENTRADA FRANCA



O divã imaginário

Em um livro delicioso e instigante, dois psicanalistas dedicam-se a ouvir o que os personagens do universo pop dizem sobre as metamorfoses da família contemporânea

Bruno Meier
Homer, o pai de Os Simpsons — o desenho mais longevo da televisão americana, há vinte anos no ar PAPAI SABE NADA
Homer, o pai de Os Simpsons — o desenho mais longevo da televisão americana, há vinte anos no ar —, é, de acordo com os psicanalistas Diana e Mário Corso, a melhor tradução do esvaziamento da autoridade paterna na família contemporânea. O único controle que ele mantém em sua casa é o da TV. Infantilizado e trapalhão, é o completo oposto dos patriarcas modelares que figuravam em séries dos anos 50, como Papai Sabe Tudo. Nem sequer consegue ser chamado de pai: seus filhos Bart e Lisa o tratam pelo prenome. Embora Homer, funcionário de uma usina nuclear, ainda seja o provedor, Marge, sua mulher, é mais competente na gestão da economia doméstica. Esse retrato da dissolução do poder do pai, no entanto, não resulta tão iconoclasta quanto se imagina: apesar de seus incontáveis defeitos, Homer ainda se mostra um pai amoroso. Os laços de afeto, em suma, são fortes o bastante para sobreviver às transformações sociais da família.
(Fotos Divulgação)
Durante uma sessão de análise, um pai de família de seus 30 anos desabafou com o terapeuta a angústia por algo que o filho de 6 anos lhe havia dito no dia anterior. Ao ver o garoto rolando de rir com o desenho animado Os Simpsons, o pai perguntou qual o motivo de tanta graça. “Pai, essa família é igual à nossa’’, respondeu o moleque. “Quer dizer, então, que o Homer é parecido comigo?’’, questionou o pai. De imediato, o filho o abraçou e disparou: “Igualzinho’’. A comparação atingiu duramente sua vaidade paterna. A imagem que ele tinha de Homer era a de um pai tolo, atrapalhado e, no limite, irresponsável. “Quando começou a falar sobre Homer, ele imediatamente se deu conta de que o identificava com seu próprio pai”, diz o psicanalista gaúcho Mário Corso. O paciente não queria reproduzir, na educação do filho, as falhas de seu pai. Daí o desespero ao se ver equiparado ao (suposto) chefe da família Simpson. O menino, porém, tinha uma perspectiva menos ácida sobre Homer: um pai trapalhão, sim, mas muito amoroso. A série de animação que possibilita essas leituras tão divergentes é uma das mais de quarenta obras de ficção — do cinema, da televisão, da literatura — analisadas pelos psicanalistas Mário e Diana Corso no livro A Psicanálise na Terra do Nunca (Penso; 328 páginas; 79 reais). O casal armou um ótimo panorama do modo como a cultura pop retrata as mudanças na família, nas relações pessoais, na infância e na adolescência. Fantasias coletivas compartilhadas por espectadores e leitores de todo o planeta, esses produtos devem seu sucesso, em grande parte, à eficiência com que representam anseios comuns ao homem contemporâneo.
Os psicanalistas Diana e Mário Corso: Homer Simpson e Shrek no lugar que já foi ocupado pelo trágico rei Édipo Fantasias compartilhadas
Os psicanalistas Diana e Mário Corso: Homer Simpson e Shrek no lugar que já foi ocupado pelo trágico rei Édipo
(Jefferson Bernardes/prevew.com)
Formados em psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul — conheceram-se nas salas de aula —, Diana e Mário Corso são autoridades na psicanálise de crianças e adolescentes. Já haviam dedicado um livro anterior, Fadas no Divã, ao exame dos contos infantis, nos passos do psicólogo austríaco Bruno Bettelheim (1903-1990), autor de uma obra pioneira nessa área. O novo livro do casal tem um capítulo fascinante sobre as apreensões da gravidez tal como apresentadas (metaforicamente, bem entendido) em filmes de terror como O Bebê de Rosemary e Alien. No geral, porém, privilegia-se a análise de séries e filmes voltados para o público infantil ou jovem. O elenco de personagens examinados vai do boneco Woody de Toy Story aos vampiros de Crepúsculo, com um interregno literário para Holden Caulfield, protagonista de O Apanhador no Campo de Centeio (o romance publicado por J.D. Salinger em 1951 ainda é um dos melhores retratos do desamparo da adolescência). Na perspectiva dos autores, essas obras de ficção pop não são mera fonte de diversão (tampouco uma forma de “alienação”, como ainda acusam alguns retardatários), mas um veículo para que as pessoas identifiquem seus problemas e busquem resolver conflitos interiores. Muitas das obras citadas no livro apareceram nos relatos de pacientes do casal — crianças, adolescentes e também adultos, como o pai incomodado porque seu filho o achava a versão em carne e osso de Homer Simpson.
Nos seus fundamentos, a terapia psicanalítica é baseada na narrativa: exige do paciente o esforço de contar a própria história, para então chegar a uma compreensão mais profunda de si. É natural, portanto, que a psicanálise funcione também como uma espécie de método para a crítica de obras de ficção. Sigmund Freud (1856-1939), fundador da disciplina, já se dedicara a examinar obras ficcionais, e o francês Jacques Lacan (1901-1981) levou essa propensão a extremos bizantinos. Diana e Mário Corso seguem a linha lacaniana, mas sem rigidez: seu livro vai deliciar fãs da cultura pop, sejam ou não iniciados na psicanálise.
As metamorfoses da família contemporânea, cada vez menos “nuclear” e mais variada em seus arranjos, ocupam uma parte considerável do livro. A série A Família Addams, nos anos 60, aparece como uma pioneira dos modelos alternativos de família. Mas, apesar de seu inconformismo e aparente monstruosidade, os pais mantinham a tradicional autoridade sobre os filhos: Vandinha e Feioso recorriam a eles, com segurança, para obter orientação. Em Os Simpsons, Bart e Lisa não encontram essa firmeza em Homer — e em Os Incríveis, desenho de 2004, não há superpoder que ajude os pais a equacionar a relação com os super-rebentos. Esse é, também, um eco nítido da realidade. “Hoje o público infantil exige que os personagens sejam mais complexos. Eles são filhos de pais ocupados e inseguros, e amadurecem rápido’’, diz Diana Corso. Essa precocidade é o que permite, por exemplo, que as crianças observem sem choque e com naturalidade os dilemas de um personagem como o ogro Shrek: assim como tantos pais modernos, ele às vezes se cansa, tem dúvidas graves a respeito da educação da prole e chega a se arrepender da decisão de ter filhos.
Freud ia buscar suas referências ficcionais nos clássicos da literatura universal. Édipo Rei, a grande tragédia de Sófocles, está na base de suas teorias sobre o chamado “romance familiar” — o desejo reprimido que o filho tem pela mãe e sua consequente rivalidade com o pai. Essas referências eruditas seriam comuns à sociedade afluente de Viena no tempo de Freud; da mesma forma, animações como O Rei Leão ou Shrek são referência inescapável nos nossos dias. Não se quer dizer, com isso, que o teatro grego clássico e a cultura pop estejam no mesmo patamar artístico — mas sim que têm o mesmo valor como chave para os dilemas dos pacientes, conforme Diana Corso. Quando uma obra diz algo sobre seu público e seu tempo, o trabalho do psicanalista é ouvir.
Onde Vivem os Monstros NA SOLIDÃO DA INFÂNCIA
Onde Vivem os Monstros, lançado em 1963 pelo desenhista americano Maurice Sendak, valia-se de ilustrações deslumbrantes e poucas linhas de texto para apresentar a história do menino Max e sua fuga para uma ilha onírica habitada por monstros. Ao adaptar o livro para o cinema, no ano passado, o diretor Spike Jonze conferiu um contexto doméstico a essa história enxuta: Max agora é filho de pais separados. Sente-se ignorado pela mãe — que tem um namorado — e pela irmã adolescente e seu grupinho de amigos. “As crianças têm muitas coisas complicadas para decifrar e elaborar. Os enigmas da infância são sempre assustadores, e ameaçam devorá-las”, dizem os psicanalistas Diana e Mário Corso. No filme, a fantasia compensa o isolamento que Max sente em sua própria casa, e os monstros refletem sua sensação de estar alijado das decisões dos adultos. O filme mostra, enfim, quão profunda pode ser a solidão de uma criança.

Shrek FADAS INTIMISTAS
A sátira ao universo dos contos de fadas faz a graça dos quatro filmes da série Shrek. Porém as aventuras do ogro e de sua independente companheira, Fiona, mantêm uma certa fidelidade aos modelos ditados pela tradição: Shrek ainda é um herói que amadurece — vai do isolamento autossuficiente em seu pântano à descoberta do amor de Fiona e à constituição de uma família — em um universo regido pela magia. De maneira diversa da dos contos clássicos, com seus personagens que representavam atributos morais binários (o herói virtuoso e o vilão malvado de arrepiar), os personagens de Shrek têm uma vida interior mais complexa, o que facilita a identificação imediata com as cada vez mais precoces e espertas crianças de hoje. Na expressão de Diana e Mário Corso, trata-se de um “conto de fadas intimista”. “Os contos de fadas mudaram porque nós mudamos”, diz o casal em A Psicanálise na Terra do Nunca.

Toy Story TRAMPOLIM DA IMAGINAÇÃO
O estúdio de animação Pixar, sem pressa, lançou nos últimos quinze anos três filmes sobre brinquedos com vida. A série Toy Story tem como centro o caubói de pano Woody e seu amigo astronauta, Buzz Lightyear. Em seu livro, Diana e Mário Corso mostram como os três filmes de animação são eficientes ao retratar a relação das crianças com seus brinquedos. Estes são apenas o suporte material para o exercício da imaginação; para se apropriar de um brinquedo, a criança muitas vezes lhe dá significados que sua forma não faz supor. Em Toy Story 3, especialmente, evidencia-se esse divórcio entre a aparência e o significado: um fofíssimo urso de pelúcia cor-de-rosa é o mais canalha dos vilões, e a boneca Barbie, com seu figurino de loira fútil, revela-se uma garota leal e despachada. Toy Story enfoca também a melancolia de nossa relação com a infância perdida, na figura dos brinquedos que guardamos, empoeirados, no sótão.

A Família Addams e Os Incríveis O CERCO À DIFERENÇA
Criada pelo cartunista americano Charles Addams no fim dos anos 30 e depois adaptada para a televisão e o cinema, a Família Addams forma um clã esquisitíssimo, porém generoso — monstruosos, mas “apenas para quem os vê de fora”, na expressão de Diana e Mário Corso. Extravagantes e aristocráticos, os Addams são um exemplo de independência de espírito em uma sociedade na qual vigora a constante preocupação com “o que os outros vão pensar’’.
A família de super-heróis do desenho animado Os Incríveis (2004) vive sob outra forma de coerção social. Eles estão impedidos de usar em público os seus prodigiosos poderes. Esse é um grande problema para os dois superpais, divididos entre incentivar e reprimir o potencial dos filhos. Trata-se de uma representação fantasiosa de um dilema comum aos pais de carne e osso: frequentemente, eles se sentem policiados na educação dos filhos (às vezes literalmente, como no caso do projeto de lei que pretende coibir as palmadas) e, por medo de errar, acabam até negligenciando seus pimpolhos.

sábado, 12 de março de 2011

7º Congresso Norte Nordeste de Psicologia - CONPSI


Local:
Centro de Convenções da Bahia
Av. Simon Bolivar, S/n, Costa Azul
Salvador - Bahia
Período:
De 11 a 14 de Maio de 2011

Tema: Práticas e Saberes Psicológicos e suas Interconexões
O Congresso Norte-Nordeste de Psicologia (CONPSI) reúne, a cada dois anos, em uma cidade da região norte ou nordeste, Psicólogos, Pesquisadores, Docentes e Alunos de Psicologia de todas as regiões do país, com o fim de compartilhar conhecimentos acadêmicos e profissionais, discutir políticas para a área e promover o avanço da Psicologia no Brasil. Trata-se, portanto, de um evento nacional, um dos maiores da área, prestigiado por todos os grupos envolvidos na construção da Psicologia brasileira. Em sua última edição, na cidade de Belém, Pará, o evento reuniu 3.066 participantes, de 27 unidades da federação (além de participantes do exterior).
Em sua 7ª. edição, o CONPSI será realizado em Salvador, Bahia, retornando à cidade na qual teve origem. É previsto pelo Regimento do Congresso, aprovado pelo conjunto de entidades responsáveis pelo evento, que a cada quatro anos o congresso retorne à Bahia, onde foi inicialmente concebido e onde já foram realizados três eventos, desde 1999, ano de sua criação. A partir da análise sobre a expansão do ensino desde o ano de 1997, quando a única instituição que formava psicólogos na Bahia era a UFBA, o Estado da Bahia é responsável pelo maior crescimento do número de concluintes do nordeste, visto que atualmente possui 31 cursos de graduação em Psicologia, oferecendo mais de 1500 vagas. Além disto, a Universidade Federal da Bahia mantém um programa de pós-graduação em Psicologia com cursos de mestrado e doutorado que obteve o conceito cinco na última avaliação trienal, indicador da sua consolidação e qualidade. A expectativa, por conseguinte, é ter um público em torno de 5000 psicólogos, pesquisadores, profissionais e estudantes de Psicologia e áreas a fins.
Desde a sua criação, o CONPSI é um espaço nacional de diálogo entre o mundo acadêmico e o mundo profissional da Psicologia brasileira, buscando fortalecer o intercâmbio necessário entre a produção de conhecimento científico e a qualificação e desenvolvimento dos serviços prestados à sociedade pelos psicólogos. Espera-se que o 7º CONPSI siga a mesma trajetória de sucesso das edições anteriores.

Mais informações, acesse o site:

quarta-feira, 9 de março de 2011

PRAXIS LACANIANA - PROGRAMAÇÃO 2011

.: PROGRAMA DE ENSINO 2011 :.

1º SEMESTRE : 16/03 a 15/07
2º SEMESTRE : 08/08 a 16/12
SEMINÁRIOS E CURSOS • Curso de Formação Básica.
“As psicoses”. Seminário 3, Jacques Lacan.
(semanal, quartas-feiras, 16:30) Início: Abril - Aberto.
Coord.: Antonia Portela Magalhães, Edméa Roque, Gracinda Peccini, Iaci Pádua, Isabel Considera, Maria Auxiliadora B. de Oliveira, Maria Isabel Fernandez, Maria José Carvalho, Marilu Guerreiro e Sonia Damasceno


• Seminário Avançado de Leitura à Letra.
“O sintoma”. Seminário 23, Jacques Lacan.
(quinzenal, 2ªs e 4ªs quartas-feiras, 20h).
Coord.: Antonia Portela Magalhães, Cássia Fontes Bahia, Edméa Roque, Gracinda Peccini, Iaci Pádua, Isabel Considera, Maria Auxiliadora B. de Oliveira, Maria Isabel Fernandez, Maria José Carvalho, Marilu Guerreiro e Sonia Damasceno

• Seminário Clínica e Discurso da Psicanálise.
“O ato analítico”.
(mensal, 3ªs quartas-feiras, 20h)
Coord.: Isabel Martins Considera


LEITURAS DE BASE E FUNDAMENTOS DA PSICANÁLISE

Textos Freudianos
• “Além do princípio do prazer”.
(semanal, segundas-feiras, 17h). Coord.: Iaci Torres Pádua e Isabel Martins Considera

• “História de uma neurose infantil: O homem dos lobos”.
(semanal, sextas-feiras, 10h). Coord.: Gracinda Peccini, Maria Isabel Fernandez e Marilu Guerreiro

Escritos e Seminários de Lacan
• “A angústia”, Seminário 10 e textos freudianos referentes
(semanal, segundas-feiras, 18:30). Coord.: Antonia Portela Magalhães e Maria Auxiliadora B. de Oliveira

• “De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose”. Escritos
(semanal, quartas-feiras, 18:30). Coord.: Edméa Roque, Iaci Torres Pádua e Maria José Carvalho

• “As formações do inconsciente. A lógica da castração”. Seminário 5
(semanal, sextas-feiras, 11:30). Coord.: Cássia Fontes Bahia, Gracinda Peccini e Marilu Guerreiro
CARTÉIS Os cartéis se constituem pela reunião de 3, 4 ou 5 pessoas que se escolhem para produzir um trabalho. Esses (3, 4 ou 5) elegem o + 1, que deverá ser membro da Escola. A inscrição do cartel (nome de seus integrantes, respectivo título e tempo de duração) deverá ser feita na secretaria.
JORNADAS E CONGRESSOS
1 – XIV Jornada Anual da Escola: “O sintoma na psicanálise”
Data: 17 e 18 de setembro.
Auspício: Fundação do Campo Lacaniano

2 – De Cartéis: Jornada Interna.
Data: 11 de dezembro, na Práxis Lacaniana, em Niterói.

3 – Reunião Lacanoamericana de Psicanálise de Brasília.
Data: 21 a 24 de setembro. Brasil.

4 – Jornada da CER-Brasil de Convergência.
Data: maio, em Florianópolis, Brasil.

5 – Reunião da CEG de Convergência.
Data: junho, em Buenos Aires, Argentina

6 – Colóquio de Psicanálise de Lion. Convergencia
“Pai e Nomes do Pai na Clínica Psicanalítica. Aspectos Contemporâneos”
Data: 11, 12 e 13 de novembro, Lion, França.

REUNIÕES
• de Ensino: segundas-feiras, 15h (fechada)
• de Membros: 1ªs quartas-feiras e 3ªs segundas-feiras, 20h

ATIVIDADES NO RIO DE JANEIRO
• Textos Freudianos: “Além do princípio do prazer”.
(semanal, terças-feiras, 11:30). Coord.: Iaci Torres Pádua

• Escrito: “De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose”.
(semanal, terças-feiras, 12:45). Coord.: Iaci Torres Pádua

BIBLIOTECA
Aberta ao público para consulta no local.
Horário: segundas e quartas-feiras de 14h às 20h e sextas-feiras de 9:30 às 13h.
COORDENAM A PRÁTICA DA ESCOLA: Antonia Portela Magalhães, Cássia Fontes Bahia, Edméa Roque, Gracinda Peccini, Iaci Torres Pádua, Isabel Martins Considera, Maria Auxiliadora Bragança de Oliveira, Maria Isabel Fernandez, Maria José Carvalho, Marilu Guerreiro, Sonia Damasceno.

Escola Brasileira de Psicanálise - AGENDA - MARÇO DE 2011:


Dia 18/03 - Sexta-feira, 18:30 horas
Noite Americana Mediateca da Maison de France A loucura de cada um – perspectivas da psicanálise
Com: Romildo do Rêgo Barros e Paula Borsói

Local:
Av. Presidente Antônio Carlos, 58/ 11º andar - Castelo
Rio de Janeiro/ RJ

terça-feira, 8 de março de 2011

Rótulos que aprisionam o sujeito

O video abaixo faz uma crítica ao movimento contemporâneo da clínica psiquiatrica de "etiquetar", colocar rótulos sobre o sujeito. A psiquiatria atual está fundada na incompreensão do sujeito a respeito de seu sintoma, não havendo lugar para nenhuma espécie de subjetivação sobre o que o acomete. Não sendo mais tratado pela palavra, a via medicamentosa tornou-se a única opção de tratamento. Os diagnósticos inventados são os mais variados, muitos feitos a partir de recortes clínicos em decorrência da respostas aos experimentos com medicamentos.

Um bom exemplo disso é o "Transtorno de pânico"*. Este não é um sintoma inédito para a psicanálise, muito pelo contrário, ele já havia sido descrito por Freud desde 1895, porém com uma outra nomenclatura, a saber, Neurose de Angústia. A invenção desse novo diagnóstico psiquiátrico se deu em função de um observação clínico experimental, que tomou como referência os trabalhos realizados pelo psiquiatra americano Donald Kein. Este realizou uma pesquisa com o medicamento imipramina, utilizando-o em pacientes com ansiedade crônica e aguda, que constituiam dois grupos, respectivamente. Nesse experimento, ele observou que a imipramina era eficaz no tratamento de pacientes acometidos com crises de angústia agudas, repentinas e inexplicáveis, não obtendo o mesmo resultado com o outro grupo. Por outro lado, com tranqüilizantes habituais, a resposta não era positiva nos grupos com crises agudas. Assim, a “dissociação farmacológica” possibilitou a criação de uma entidade nosológica que corresponderia a esses novos dados empríricos, que demostra a tendência da psiquiatria a fazer recortes clínicos. Ou seja, de uma dissociação farmacológica no tratamento da angústia, cria-se, então, duas entidades nosológicas: o Transtorno de pânico e o Transtorno de Ansiedade generalizada. O que a psiquiatria fez com o fenômeno de angústia é um bom paradigma para evidenciar as bases de seu trabalho.

* Considerações extraídas do texto de Carlos Augusto Nicéas, intitulado "Pânico e Angústia" In: Latusa 4/5 - Revista da EBP.