Psicóloga / Psicanalista Flavia Bonfim - Atendimento - Cursos - Eventos - Textos
Contatos: (21) 98212-6662 / 2613-3947 (Secretária eletrônica)
domingo, 27 de maio de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Curso: Psicanálise e Reabilitação Física
CURSO: Psicanálise e Reabilitação Física
25 de agosto de 2012 (Nova data)
Ministrante
Flavia BonfimMestre em Pesquisa Clínica e Psicanálise (UERJ); Pós-graduada em Psicanálise e Laço Social (UFF); Psicóloga (UFF); ex-participante do Programa de Bolsa de Aperfeiçoamento Profissional na Área de Psicologia da AFR; Psicóloga da AFR. Psicóloga Clínica.
Conteúdo
- A “deficiência” e o processo de reabilitação física
- A constituição do sujeito e a dimensão inconsciente
- Psicanálise e Instituição
- Aspectos psíquicos do adoecimento e da perda a nível corporal/ funcional
- Processo de Luto X Depressão
- Psicossomática
- A função do psicólogo no processo de reabilitação
- Possibilidades de intervenção (avaliação; trabalho em equipe, atendimento individual e grupal; intervenção com a família e/ou cuidadores)
- O tratamento psicanalítico na instituição (demanda, sintoma analítico, associação livre, transferência, intervenção/interpretação)
- Processo de alta na reabilitação
Objetivos
Apresentar e discutir considerações psicanalíticas sobre a especificidade do trabalho em instituições de reabilitação física, de modo a contribuir para a intervenção neste campo de atuação, além de abordar temáticas inerentes a área da saúde de um modo geral.Público Alvo
Profissionais e Acadêmicos de Psicologia e Serviço Social (a partir do 4º período).Horário
08:00/17:30 hCarga Horária
10 h/aInvestimento
Até o dia: 03/08/2012Acadêmicos: à vista = R$ 108,00 ou parcelado = 3 X R$ 40,00 = R$ 120,00
Profissionais: à vista = R$ 119,00 ou parcelado = 3 X R$ 44,00 = R$ 132,00
Após o dia: 03/08/2012
Acadêmicos: à vista = R$ 119,00 ou parcelado = 3 X R$ 44,00 = R$ 132,00
Profissionais: à vista = R$ 132,00 ou parcelado = 3 X R$ 49,00 = R$ 147,00
Promoção:
Até o dia: 03/08/2012
Estagiários da AFR : à vista = R$ 98,00 ou parcelado = 3 X R$ 36,00 = R$ 108,00
Após o dia: 03/08/2012
Estagiários da AFR : à vista = R$ 106,00 ou parcelado = 3 X R$ 39,00 = R$ 117,00
Seja DIVULGADOR dos nossos Cursos e GANHE 20% de DESCONTO a cada aluno indicado, após a confirmação da matrícula. (exceto Estagiários da AFR)
DESCONTO ESPECIAL de 15% para grupo de 6 alunos. (exceto Estagiários da AFR)
Informações Adicionais
A pré-inscrição não é reserva de vaga. Para garantir a sua vaga, efetue o pagamento integral ou parcelado do Curso.O CERTIFICADO será emitido pela AFR para os Alunos com frequência mínima de 75% da carga horária prevista para o Curso.
Associação Fluminense de Reabilitação.
Rua Lopes Trovão, 301 Niterói - RJ - Brasil | CEP - 24.220-070 | Tel: 21 2109-2626
quinta-feira, 3 de maio de 2012
LANÇAMENTO DE LIVRO - "UMA CLÍNICA PARA O CAPS", de Valdene Rodrigues.
LANÇAMENTO DE LIVRO
UMA CLÍNICA PARA O CAPS - A clínica da psicose no dispositivo da Reforma Psiquiátrica a partir da direção da psicanálise, de Valdene Rodrigues Amancio. Associação Médica de Varginha, às 20 horas. Entrada Franca
UMA CLÍNICA PARA O CAPS - A clínica da psicose no dispositivo da Reforma Psiquiátrica a partir da direção da psicanálise, de Valdene Rodrigues Amancio. Associação Médica de Varginha, às 20 horas. Entrada Franca
Venda pelo site: http:// www.editoracrv.com.br/ ?f=produto_detalhes&pid=346 9
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Fórum de debate sobre a infância e adolescência em Niterói/RJ.
ATENÇÃO: O evento é aberto ao público, mas é necessário ligar para Escola Lacaniana para confirmar a presença.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
REPORTAGEM: "Medicalização de crianças transforma modo de ser em doença"
Medicalização de crianças transforma modo de ser em doença*
Por Edimilson MontaltiDoenças inventadas
Foi isto o que mais de 1.200 profissionais da área da saúde e educadores ouviram em duas sessões realizadas no auditório da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Medicalização do modo de ser
Segundo o pediatra Ricardo Caraffa, as crianças acabam sendo diagnosticadas muito rapidamente e de forma errônea sem receber nenhum outro tipo de atenção e análise.
Num esforço de reverter esse quadro, foi realizado em São Paulo, no mês de novembro, um fórum sobre o tema.
"A venda de medicamentos à base de metilfenidato aumentou 1.000 por cento nos últimos anos. São dois milhões de caixas por ano. Esse número é muito expressivo", explicou Caraffa.
Diferenças pessoais, não doenças
Para a pediatra, professora e pesquisadora da Unicamp, Maria Aparecida Affonso Moysés, existem doenças e problemas de saúde que podem interferir com o desenvolvimento cognitivo e afetivo das pessoas.
Existem pessoas que aprendem com mais facilidade que outras e existem pessoas tranquilas, calmas, apáticas, agitadas, empolgadas e mais agressivas.
E entre os extremos há infinitas possibilidades.
Ainda segundo Moysés, existem diferentes modos de aprender e lidar com que já foi aprendido e cada um estabelece os seus próprios processos cognitivos e mentais para aprender.
"Cada ser humano é diferente do outro. Quais são as evidências científicas que comprovam que doenças biológicas e psiquiatras comprometem exclusivamente a aprendizagem?", questionou a pesquisadora que desenvolve um trabalho juntamente com Cecília Colares, da Faculdade de Educação, sobre déficit de atenção.
Retrocesso
Para a psicóloga da USP Marilene Proença Souza, a criança brinca, faz birra, chora e tenta impor sua vontade.
Mas, hoje em dia, quando ela corre um pouco mais é dita como hiperativa, se fala muito é rotulada de desatenta, e se troca letras no processo de alfabetização - o que é esperado - dizem que ela tem dislexia.
Segundo Marilene, ao diagnosticar a criança com algum distúrbio, a sociedade está deixando de considerar todo o processo de escolarização que produz o não-aprender e o não-comportar-se em sala de aula.
"Do ponto de vista da psicologia da educação, estamos vivendo um retrocesso. Estamos culpando a criança por não aprender e medicando-a. O remédio não pode ocupar o lugar da escola e da família. Se assim for, estamos invertendo valores do campo da saúde, da educação e da psicologia com relação ao desenvolvimento infantil e deixando de usar todos os instrumentos pedagógicos no início do processo de alfabetização", disse Marilene."
* Texto extraído do DIÁRIO DA SAÚDE - Link: http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=medicalizacao-criancas&id=6612#.T4c9hbAr5x8.facebook
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Texto: "Fragmento não-todo" - Por Sérgio de Campos
Fragmento não-todo*
Por Sérgio de Campos
No que tange ao gozo feminino, é possível afirmar que nele há algo de extravio por não seguir a lógica fálica. Esse extravio é resultado de um gozo nãotodo que se revela para ambos, homem e mulher, como opaco, difuso e enigmático. Não obstante senti-lo, a mulher pouco ou nada pode esclarecer sobre ele. Não há nada nele de transmissível ou compartilhável. Esse gozo está relacionado exclusivamente ao amor. Porém, por ser difuso e sem limites, não tem necessariamente conexão com o ato sexual, já que ele está contido de maneira variada nas diversas modalidades de gozo na mulher.
Com uma mulher, o homem ou se prepara para cantar o amor ou a guerra. Com efeito, a guerra que a mulher evoca não é fruto da inveja do pênis ou do desejo insatisfeito, mas porque ela é a hora da verdade do homem. Portanto, ele prefere enfrentar qualquer inimigo a uma mulher como suporte dessa verdade. Os mais prudentes aconselham que não deva brigar com gente que usa saia: padre, juiz e mulher. Se o poder dos dois primeiros é oriundo das insígnias fálicas, o poder da mulher emana do gozo nãotodo. Esse gozo louco, escandaloso, sem referências simbólicas que pudessem capturá-lo ou circunscrevê-lo, é algo que amedronta os homens e torna alguns precavidos, sinal do desejo advertido ou do desejo impedido na neurose obsessiva. Las mujeres alteradas dos quadrinhos de Maitena, cartunista argentina, é uma tentativa de ilustrar o desvario do gozo feminino e o consequente temor que afeta os homens.
Ademais, diante dos impasses com o feminino, tendo levado sua análise a termo, o sujeito desvenda que o novo amor não é um novo objeto de amor, mas, sim, uma nova maneira de amar. Uma nova maneira de amar que inclui o enigma do impossível de compreender uma mulher como mote do desejo, pois a mulher é como a lua: hoje clara, amanhã escura. Com efeito, o enigma se torna a condição de desejo, objeto a, de "minha mulher" como "fulana". Essa descoberta articula o amor e o desejo que, a partir de então, são denominados de amoresejo, a liebe do sujeito. Liebe, palavra alemã que recobre ao mesmo tempo o desejo e o amor. Antes, o sujeito tinha a "minha mulher" como posse desinteressante e a Outra mulher, "fulana", como busca fugidia. Agora, o sujeito consente que la donna è móbile qual piúma al vento, muta d'accento e de pensier.
No amor se inventa e essa é a condição exigida como suplência da não relação sexual. Conciliar o desejo, o amor e a pulsão em relação a uma mulher não é tarefa fácil, como evoca Ovídio: "não posso viver sem ti, nem contigo". Entretanto, não é missão impossível. O enlace do amor ao desejo mediante a pulsão é obra do encontro, visto que esses elementos reunidos ou disjuntos, mesclados ou puros, transitórios ou duradouros, se amarram segundo a loucura de cada um.
*Texto extraído do link http://www.mulheresdehoje.com.br/texto.asp , referente ao Evento XIX ENCONTRO BRASILEIRO DO CAMPO FREUDIANO Mulheres de hoje: figuras do feminino no discurso analítico.
Pós-Graduação"Clínica psicanalítica na contemporaneidade"- NITERÓI/RJ
O curso de especialização “A clínica psicanalítica na contemporaneidade” busca atender à demanda regional de psicólogos e outros graduados interessados no campo analítico que querem aprofundar-se teórica e clinicamente em sua atividade profissional. Sua matriz curricular, baseada na teoria e na clínica psicanalíticas, engloba não apenas fundamentos teóricos e clínicos presentes nas obras de Sigmund Freud e Jacques Lacan, como também questões atuais de seu exercício nos contextos público e privado.
Público-alvo: Psicólogos e outros graduados interessados no campo analítico.
Coordenação: Simone Ravizinni e Carla Sá Freire
Horário: Sábado, de 8:00 as 17:00 h
Inicio: Maio/2019
Corpo Docente: Simone Ravizinni, Carla Sá Freire, Ana Lucia Garcia, Raymundo Reis, Flavia Bonfim e Elizabeth Araújo.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
quinta-feira, 29 de março de 2012
“O PSICANALISTA NÃO FALA, SÓ ESCUTA” – Verdade?
“O PSICANALISTA NÃO FALA, SÓ ESCUTA” – Verdade?
Por Flavia Bonfim
A idéia do analista sempre silencioso é uma caricatura. Isso não quer dizer, contudo, que o silêncio não tenha sua função no processo analítico. Se fosse “verdade” que o analista não fala, ainda assim teríamos aí uma questão que mereceria melhores esclarecimentos. Pois como a “verdade é sempre não-toda”, nos diz Lacan, essa afirmativa por si não seria capaz de dar conta de dizer tudo sobre a práxis do analista. Por outro lado, vale dizer que “escutar”, ou melhor “a escuta de um psicanalista” em si já não é pouca coisa, pois permite ao sujeito falar daquilo que há de mais íntimo, sem ser censurado e julgado segundo critérios morais: do bem e do mal, do certo ou errado, além de contar com o sigilo de seus maiores segredos.
Escutar o paciente, antes falar e fazer suposições, trata-se de uma posição ética, que supõe um saber do lado do analisando a respeito de si próprio (mesmo que ele ainda não saiba) a ser construído no processo analítico. Além disso, isso aponta para o fato de que qualquer intervenção e interpretação do analista só é mediante a prévia escuta do paciente. Não se trabalha com um saber pronto, produzido de ante-mão, que caberia para todo sujeito. A teoria psicanalítica orienta e jamais o analista pode prescindir dela, mas ela não substitue o singular e só se confirma e se autentifica medicante o caso a caso. A psicanálise é a clínica do particular.
Desse modo, o analista trabalha essencialmente com a fala do paciente, pois é na fala que o inconsciente pode emergir. É isto que Lacan quer assinalar com seu famoso aforismo, que marcou sua releitura da obra freudiana: “O inconsciente é estruturado como uma linguagem”. O inconsciente não está dentro, nem fora, mas se encontra na própria fala do analisando, cabendo ao analista intervir para que o inconsciente exista. É o analista que enfatiza aquilo que o analisando desconsidera (as manifestações do inconsciente: atos falhos, chistes, sonhos, sintoma) e aponta para seu estatuto de representante da verdade do sujeito. Daí, a tese de Lacan: O inconsciente não é sem o analista.
De modo mais preciso, afirmamos que a psicanálise trabalha com os ditos do paciente, questionando a posição do sujeito frente a eles, o lugar do enunciante frente ao seu enunciado,– permitindo reformular sua queixa e introduzir o mal-entendido. Isso o guia ao encontro do inconsciente, levando-o ao questionamento de seu desejo e do que pretende dizer quando fala. O ato analítico consiste em implicar o sujeito em sua queixa, de modo que possa avançar, deslizando da queixa a respeito do outro, para a pergunta: “Qual minha parte nisto?”, produzindo, então, uma retificação subjetiva, uma responsabilização do sujeito sobre seu sintoma. Convém destacar que responsabilizar não é de modo algum culpabilizar o paciente pelo seu sofrimento. Responsabilizar é o primeiro passo para permitir que o analisando – apesar do assujeitamento do Outro, do determinismo inconsciente e dos dramas pessoais – possa se autorizar pelas escolhas de sua vida e encontrar outras vias de se posicionar frente ao mundo, bem como outros modos de satisfação, construindo, assim, soluções inéditas para si.
Finalizando, devo dizer que ética da psicanálise é regulada pelo desejo e toda intervenção/interpretação analítica incide na tentativa de apontar para a dimensão desejante do sujeito. Logo, o psicanalista fala. O que ele não fala é sobre si, já que isso produz apenas identificações imaginárias que só tendem a contribuir ainda mais para a alienação do sujeito – indo na contramão do processo analítico. Ele também não diz ao paciente como agir, pois quem pode dizer o que é melhor para o outro? Quanto a isso, Freud há tempos nos alertou , escrevendo que “A felicidade constitui um “problema da economia da libido do indivíduo.” Não existe uma “regra de ouro” para todos. Cada sujeito deve descobrir o seu caminho que conduz ao prazer.” Nesse sentido, Lacan, por sua vez, foi bem claro ao formalizar que o analista dirige o tratamento, não o paciente.
quarta-feira, 28 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
Seminários da Escola Brasileira de Psicanálise (EBP-Rio)
Seminários conta e risco| Seção-Rio
______________________________________________________________________________________________________________________________________________________
O Um-dividualismo moderno e o Outro gozo. (leitura de ...ou pior, O Seminário Livro XIX).Este é o neologismo criado por J. A. Miller, para caracterizar a investigação empreendida por Lacan neste seminário. Nele, interroga-se a articulação do Outro gozo, gozo feminino, com o Um. É questão bastante atual em dias da ênfase na pluralidade dos gozos. ". Omodo aforms J. A. Miller: "Em lugar daquilo que faz furo no real há pletora: imagens que enganam e encantam, discursos que prescrevem como a relação deve ser". Passando pelo Um egóico e o Um do pai , Lacan visará o Um da letra como modo privilegiado de localização do gozo em uma análise. É o Um que nela se inscreve e o que dela se transmite quando levada a termo.
As seguintes 5as feiras às 20 horas: 22/03, 05/04, 19/04, 03/05, 17/05, 31/05, 14/06, 28/06.
Coordenação: Marcus André Vieira.
As seguintes 5as feiras às 20 horas: 22/03, 05/04, 19/04, 03/05, 17/05, 31/05, 14/06, 28/06.
Coordenação: Marcus André Vieira.
Seminário: A distinção entre o discurso da histeria e o feminino
Em 2012, prosseguiremos com a pesquisa sobre o tema: “ A distinção entre a posição histérica e a posição feminina.” Adotaremos como leitura básica alguns capítulos dos seminários 17, 20 e 23 de Lacan, visando aprofundar os conceitos que situam como a orientação lacaniana distingue de forma radical, a maneira como os homens e as mulheres
se posicionam em relação a falta-a-ser. Pretendemos com este estudo, além de situar a posição feminina, refletir sobre as particularidades do feminino na contemporaneidade e os efeitos na clinica. Os seminários são intercalados, um clínico e outro teórico.
Data de início: 6 de março
Funcionamento: primeiras e terceiras terças-feiras de cada mês.
Horário: 20h30
Local: Rua Lemos Cunha, 442. Icaraí- Niterói.
Tel de contato: 9612-1190
Coordenação: Ana Lúcia Garcia de Freitas
_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________
“O objeto a e os conceitos fundamentais”
Data de inicio: 06 março de 2012
Freqüência: As primeiras e terceira terças feiras do mês.
Proposta:
Daremos continuidade ao trabalho iniciado em Niterói no ano 2005 retomando e atualizando os conceitos: inconsciente, pulsão, transferência e repetição no marco delimitado pelo “objeto a”. Nessa direção examinaremos a partir de casos clínicos publicados as conseqüências que o “objeto a” promove na experiência psicanalítica.
Bibliografia:
Freud, S. Inibições, sintoma e angústia in Ob Completas, Imago Ed. RJ 1988.
Lacan, J. Seminário livro 10 “A angústia”, Zahar Ed. RJ.
Lacan, J. Seminário livro 11 “Os quatro conceitos fundamentais em psicanálise” , Zahar Ed. RJ.
Miller, J. A. “Silet”, Zahar Ed. RJ.
Local: Rua Lemos Cunha 432 Icaraí Niterói
Informações:22874419ou21744416
Coordenação: Maria Silvia Garcia Hanna
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Seminário sobre as psicose ordinárias: questões diagnósticas
Reinício dia 13 de março, terça feira, às 11hs.
As duas reuniões deste mês serão dedicadas a leitura e contribuições ao texto de Freud: O recalque, de 1915.
A riqueza do texto de Freud, nos permitirá prosseguir o trabalho no vasto campo de pesquisa ao qual este seminário se dedica.
Nas demais reuniões, deste ano, trabalharemos o Seminário 23 de Lacan, O Sinthome.
Nossos encontros serão as segundas e quartas terças feira do mês, respectivamente, dias 13 e 27 as 11 horas na sede da Seção Rio.
Coordenação: Lenita Bentes e Eliana Bentes Castro
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Seminário: Leitura de Mallarmé le livre, de Joseph Attié
Coordenação: Maria Isabel Lins
Reiniciou 16 março quinzenal as sextas-feiras de 10:30h ás 12h
Sede da EBP/Rio sala 2
________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Clinica do real: o analista da clinica do sinthome.
Estudaremos os conceitos que sustentam o analista na clínica do sinthome, uma clinica que ao não fazer do objeto a sua última palavra faz do gozo opaco do sinthome o ponto a partir do qual a palavra se orienta porem. Desse modo não há uma palavra que possa se tornar a ‘ultima palavra’, há a ‘palavra final’ de uma experiência, aquela que para cada sujeito assinale um gozo absoluto, fora de sentido. Um significante que não represente nada, mais que seja significante de um gozo único, onde se possa situar o resto incurável chamado de sinthome.
Inicio: 09 de março de 2012
Toda 1ª e 3ª sexta feira do mês
Local: sede da EBP - Rio
Horário: 15h00
Bibliografia:
Jacques Lacan, O Seminário livro XXII, O sinthoma. (Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 2009)
Curso psicanalítico de J. –A. Miller: “Los divinos detalles” (Paidós, Bs. As. 2010).
Coordenação: Mirta Zbrun
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Seminário: Televisão
Reinício 9 de março
Freqüência: quinzenal sextas-feiras de 12h ás 13:30h
Sede da EBP/Rio Auditório
Coordenação: Stella Jimenez
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
segunda-feira, 19 de março de 2012
V Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e XI Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental
V Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental
XI Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental
Convocatória
"A Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental (AUPPF) convida todos os interessados para participarem do V Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e XI Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental que será realizado no Ponta Mar Hotel, Fortaleza, Ceará, Brasil, de 6 a 9 de setembro de 2012.
Muito além dos chamados "transtornos alimentares", o tema geral do Congresso - Dietética corpo pathos - solicita apresentação de trabalhos que reflitam e comentem sobre a ética da oralidade, que muitos pensadores, filósofos, médicos, psicanalistas e escritores, consideram fundamental para a civilização.
De fato, desde o mito edênico, que representa a saída do humano em direção à sua própria humanidade, passando pelo canibalismo e pela antropofagia, a questão da ética da oralidade, entendida como os limites da liberdade sobre práticas orais, coloca o humano em relação direta com a civilização e a barbárie.
Atualmente, os chamados distúrbios da oralidade - anorexia, bulimia, obesidade, alcoolismo, drogadição, voracidade, cobiça, insaciabilidade, ambição desmesurada, fissura, sofreguidão, glutonice, avidez, devoração - estão de tal forma presentes em nossa civilização, que colocam em risco não só a existência pessoal, mas a da própria espécie humana e sua espaçonave.
Esses sintomas são claramente destrutivos e, por isso mesmo, merecem nosso esforço de pensamento buscando sua compreensão e sua resolução.
A AUPPF conta com a presença de um grande número de participantes apresentando trabalhos em nosso já tradicional encontro bi-anual."
Mais informações no link: http://pt.fundamentalpsychopathology.org/
sexta-feira, 16 de março de 2012
"Psiquiatrização da vida e o DSM V: desafios para o início do século XXI"
Psiquiatrização da vida e o DSM V: desafios para o início do século XXI*
AUTORES: PAULO AMARANTE E FERNANDO FREITAS**
"Os pesquisadores do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (Laps/ENSP/Fiocruz) Paulo Amarante e Fernando Freitas publicaram artigo no blog do Cebes, destacando que o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) vem reforçar a tendência à medicalização dos comportamentos humanos de nossa época, ao transformá-los em patológicos em seus mínimos detalhes. Confira a íntegra do artigo em anexo.Psiquiatrização da vida e o DSM V: desafios para o início do século XXI
Crianças que fazem muita birra sofrem de um distúrbio psiquiátrico recentemente descoberto, a chamada “desregulação do temperamento com disforia”. Adolescentes que apresentam, de forma particular, comportamentos extravagantes podem sofrer da “síndrome de risco psicótico”. Homens e mulheres que demonstram muito interesse por sexo, quer dizer, aqueles que têm fantasias, impulsos e comportamentos sexuais acima da temperança recomendada, muito provavelmente padecem do distúrbio psiquiátrico chamado “desordem hipersexual”.
Essas são algumas das várias novidades que estão sendo propostas pela Associação Americana de Psiquiatria (conhecida internacionalmente como APA), para suceder o DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), em vigor desde 1994. Há outras novidades que vem chamando a atenção de todos. Por exemplo, a “dependência à internet” e a “dependência a shopping”.
O que o DSM representa? Não apenas para a saúde pública propriamente dita, mas para a própria construção da subjetividade e intersubjetividade do homem contemporâneo? A medicalização crescente do nosso cotidiano.
Apenas para se ter uma ideia da chamada “inflação” dos distúrbios considerados objeto da psiquiatria: há cinquenta anos eram seis as categorias de diagnóstico psiquiátrico, e hoje são mais de trezentas.
Nas últimas décadas o DSM tem servido como a bíblia para a chamada psiquiatria moderna e para os saberes e práticas subordinados a sua hegemonia. Os autores de suas sucessivas edições argumentam que suas pretensões são: (1) Fornecer uma “linguagem comum” para os clínicos; (2) servir de “ferramenta” para os pesquisadores; (3) ser uma “ponte” para a interface clínica/pesquisa; (4) ser o “livro de referência” em saúde mental para professores e estudantes; (5) disponibilizar o “código estatístico” para propósitos de pagamento dos serviços prestados e para fins administrativos do sistema de saúde; e, finalmente, (6) orientar “procedimentos forenses”.
Os impactos provocados por cada edição do DSM são inúmeros. Bem próximo de nós está o exemplo da pesquisa da OMS sobre a saúde mental dos moradores da metrópole de São Paulo. Segundo os resultados dessa pesquisa, cerca de 1/3 da sua população sofre de algum distúrbio psiquiátrico. A grande imprensa nacional tomou tal pesquisa para chamar a atenção da população para a situação do sistema de assistência em saúde mental do país, que estaria muito aquém das demandas dos cidadãos, muito em particular o SUS. E que, sendo São Paulo uma megalópole de um país com tendências à urbanização acelerada, o seu exemplo deve ser considerado como alarmante.
O que escapa à maioria das pessoas que receberam essa notícia pela grande mídia são detalhes de grande importância para a credibilidade da própria pesquisa. Quem financiou essa pesquisa (além da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo), entre outros órgãos públicos, como a própria OMS e a Opas) foram grandes conglomerados da indústria farmacêutica: Ortho-McNeil Pharmaceutical, a GlaxoSmithKline, Bristol-Meyers Squibb e Shire. Curiosamente, os autores declaram não haver conflito de interesses. Se isso não é conflito de interesses, então é necessário revisar esse conceito!
O DSM-V chega sendo objeto de grandes controvérsias. Basta uma consulta na Internet para se tomar conhecimento das contundentes críticas feitas por alguns dos principais autores do DSM-III e DSM-IV. O que o DSM-V vem reforçar ao DSM-IV? Parece ser a tendência à medicalização dos comportamentos humanos de nossa época, ao transformá-los em patológicos em seus mínimos detalhes. Nos termos que vêm se tornando públicos, o DSM-V reforça a tendência de assegurar e ampliar o mercado da saúde mental: 1) o consumo arbitrário de medicamentos de natureza psicotrópica, sem qualquer cuidado com os seus efeitos sobre a própria saúde de seus consumidores; (2) a expansão de serviços de diagnóstico e de consultas; (3) a medicalização da vida.
Na medida em que o modelo “a-teórico” (como ele mesmo se define) do DSM nos possibilita constatar, principalmente a partir dessa sua quinta versão, que seu objetivo real não é lançar luz sobre o conhecimento dos sofrimentos mentais, e, sim, produzir mais mercado para as intervenções psiquiátricas, cumpre à sociedade recusar esse projeto medicalizante/patologizante. As entidades de saúde, particularmente as médicas, os Conselhos de Saúde e de Direitos Humanos, os órgãos públicos de normalização, regulação, fiscalização (Ministério da Saúde, Ministério Público, conselhos profissionais, dentre outros) precisam se posicionar e cobrar a responsabilidade dos autores e multiplicadores de tais iniciativas."
* Texto extraído do INFORME ENSP - Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Publicado em Link: http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/29782
** Paulo Amarante é presidente da Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme), diretor do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) e pesquisador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (LAPS/ENSP/Fiocruz)
** Fernando Freitas é diretor da Abrasme e pesquisador do LAPS/Fiocruz
PRAXIS LACANIANA - PROGRAMAÇÃO 2012
| <><><><> <><><><> >>>> |
quinta-feira, 15 de março de 2012
PSIQUIATRA, PSICÓLOGO E PSICANALISTA: Qual a diferença?
PSIQUIATRA, PSICÓLOGO E
PSICANALISTA: Qual a diferença?
Autora: Flavia Bonfim
Psiquiatria, psicologia e psicanálise são campos de saberes distintos, porém tomados por muitos, de maneira errônea, como semelhantes. O motivo para tanta confusão está no fato dos três tratarem do sofrimento psíquico (angústia, depressão, fobia, delírio, anorexia, bulimia, hiperatividade, inibição, etc.) e por isso acabam sendo visto como parecidos. Correndo o risco de ser demasiadamente reducionista e superficial ao situar algumas diferenças entre esses profissionais, vou me atrever delimitar suas caracteristicas.
O psiquiatra, assim como todo médico especialista (por exemplo: cardiologista e ginecologista), fez faculdade de Medicina durante 6 anos e, após concluir o curso, fez residência em uma área médica, no caso, a Psiquiatria. Ele trata o sofrimento psíquico do ponto de vista da medicina, ou seja, o toma como uma doença, uma doença mental - sendo esta entendida como um estado anormal que deve ser eliminado. Prepondera a visão de cessar os sintomas, sem preocupação em conhecer a causa deles. O psiquiatra, a partir dos sinais e sintomas que o paciente apresenta, procura classificá-lo dentre variados tipos de transtornos, para realizar um diagnóstico. Para tratar o paciente, ele utiliza mais comumente o recurso farmacológico. Diferentemente do psicólogo, ele pode prescrever remédios, pois possui formação médica.
O psiquiatra, assim como todo médico especialista (por exemplo: cardiologista e ginecologista), fez faculdade de Medicina durante 6 anos e, após concluir o curso, fez residência em uma área médica, no caso, a Psiquiatria. Ele trata o sofrimento psíquico do ponto de vista da medicina, ou seja, o toma como uma doença, uma doença mental - sendo esta entendida como um estado anormal que deve ser eliminado. Prepondera a visão de cessar os sintomas, sem preocupação em conhecer a causa deles. O psiquiatra, a partir dos sinais e sintomas que o paciente apresenta, procura classificá-lo dentre variados tipos de transtornos, para realizar um diagnóstico. Para tratar o paciente, ele utiliza mais comumente o recurso farmacológico. Diferentemente do psicólogo, ele pode prescrever remédios, pois possui formação médica.
Já os psicólogos são profissionais que fizeram faculdade de Psicologia. O curso de Psicologia dura 5 anos, incluindo formação teórica e prática (por meio de estágios). Os psicólogos possuem uma área bem vasta de trabalho, podendo exercer sua profissão em consultório, em empresas, escolas, hospitais, instituições de um modo geral. Na psicologia clínica, existem várias linhas que determinam a forma de entender e tratar o paciente, tais como: Gestalt terapia, Terapia Cognitivo Comportamental, Humanismo, entre outras. Na graduação, o estudante de psicologia aprende sobre essas linhas e escolhe aquela que ele considera mais adequada para realizar psicoterapia em seus pacientes. De um modo geral, pensam o sujeito como um ser da consciência, da vontade, da razão e/ou do comportamento.
No caso do psicanalista, não existe uma faculdade de Psicanálise, nem esta é uma "linha" da Psicologia. No curso de Psicologia e em cursos de Pós-graduação em Psicanálise estuda-se a teoria psicanalítica e pode até ocorrer do estudante realizar estágio nessa vertente, mas neles não se forma analista. Nem cabe a qualquer curso fornecer "diploma de psicanalista", como alguns prometem. A formação de analista é um processo não cronológico, mas lógico, que inclui: formação teórica, supervisão e análise pessoal. E é comum que se dê a partir da inserção em instituições denominadas “escola de psicanálise”. Ou seja, aquele que deseja se tornar um psicanalista encontra-se em contínuo estudo e discussão de variados temas em psicanálise, recebe supervisão de um analista sobre os casos que atente e também passa pela experiência de uma análise (ele próprio torna-se um analisando). É mais comum que psicólogos e psiquiatras optem por essa formação.
A psicanálise foi criada por Freud e sua grande descoberta foi perceber que no sujeito podemos encontrar a dimensão da consciência, mas sobretudo a do inconsciente. Há algo que o sujeito desconhece sobre si mesmo. Os psicanalistas entendem que o sintoma psíquico é expressão de um conflito inconsciente e com o tratamento, o sujeito pode de deparar com os motivos desse conflito e elaborá-los, além de responsabilizar-se pelas escolhas de sua vida e encontrar outras vias de se posicionar frente ao mundo. Apontar para a dimensão desejante do sujeito é fio condutor da ética psicanalítica, logo, do tratamento psicanalítico.
Com isso, podemos perceber que psiquiatria, psicologia e psicanálise são campos radicalmente diferentes. Há distinções quanto à formação de cada profissional e quanto à maneira de entender e tratar o sofrimento psíquico. Vale ressaltar que quando um psicólogo ou psiquiatra tornar-se um analista, ele não deixa de ter tais denominações ou títulos, porém, modifica radicalmente sua forma de entender o sujeito e o tratamento que dispensa a ele.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Algumas considerações sobre o espetáculo diagnóstico na psiquiatria contemporânea - Por Carlos Alberto Vieira
Algumas considerações sobre o espetáculo diagnóstico na psiquiatria contemporânea*
Autor: Carlos Alberto Vieira (Psicólogo Clínico, em formação em psicanálise na Escola Brasileira de Psicanálise - RN.)
A cada nova atualização, o livro D.S.M. (cujo nome pode ser lido como “Doenças sob medida”) se torna, rigorosamente, uma extraordinária obra de ficção científica. Não se credita ao amanhã alguma possibilidade de maiores reuniões de cúmulos possíveis de se apresentarem, salvo se a impressionante capacidade de renovação, em nome de seu alto grau de absurdo for realmente inesgotável, em referência direta aos profissionais da psiquiatria adeptos da perpetuação daquilo que lhes concernem nesta proposição médico-científica.
O que nele já se pode ver, contrariando com propriedade a recomendação da clínica psicológica e psicanalítica, tornada consenso segundo a realidade peculiar à própria soberania clínica, segundo a qual é algo prudente aguardar o que virá a se inscrever naquilo que concerne às manifestações pessoais do paciente ao longo do tempo do tratamento, para só então se poder definir, portanto, com um grau mais preciso de rigorosidade, um diagnóstico aos pacientes, neste caso, em particular, o tempo já é suficiente em si mesmo, pois a cada nova vez que este livro é retomado para reelaboração (e também outros livros, como este), nós não estamos mais, de modo algum, no campo do estabelecimento de hipóteses, mas de uma conclusão efetivamente convicta, de que se está em questão um caso decididamente patológico - de seu ponto de vista propriamente social –, pois, partimos do pressuposto de que os sujeitos responsáveis pelo conteúdo em geral deste livro não são psicóticos, mas, não obstante, delirantes.
Outra questão: A “rede de cumplicidade” da qual fala o filósofo Cornelius Castoriadis, ao longo de seus escritos (particularmente naqueles referentes à “ascensão da insignificância), está expressa em toda a sua clareza, na medida em que a perspectiva utilizada propriamente por tal psiquiatria nos faz ver como algo certo e extremamente intrincado, o nada incipiente enlace entre Ciência e Capital, pelo fundamental intermédio da indústria mesma dos fármacos, e não apenas por isso, mas, igualmente, por todo o aparelho sistemático que, em última análise, faz convergir ao asseguramento das condições da grande teia de (des)razões dos que o tomam e fazem em seu grau maior de poder.
A adesão à norma constitui a “singularidade científica” da psiquiatria, de maneira que, para aqueles que a fazem sem um bom-senso, sequer mínimo, à singularidade dos sujeitos resta tratar tão somente, ao invés de se conceber como algo “natural” do humano, situa a concepção a partir do recurso do significante “patológico”.
A esta altura, não estamos mais situados na famigerada discussão a respeito da linha que faz diferir o normal do patológico, pois aí há tenuidade, e, neste caso, isso não está presente, haja vista o absurdo com o qual nos deparamos, por exemplo, em categorizar a timidez como uma patologia, sim, como enfermidade mental. O que se pretende, a partir de tal maneira, é, no fim, um julgamento tresloucado acerca da “natureza humana”, a qual se constitui fundamentalmente em meio à Cultura, e, portanto, na forma mais elástica da experiência universal referente aos “estilos de existência”, de modos de ser que respondem pelo quadro geral do estado de coisas humano, que, pelo conjunto de seus traços, responde, por sua vez, pela sustentação subjetiva (e mesmo objetiva) dos sujeitos.
Em junho de 2011, estive na cidade do Rio de Janeiro, onde participei no mês de junho do V Enapol (Encontro Americano de Psicanálise de Orientação Lacaniana), realizado pela Escola Brasileira de Psicanálise – EBP em conjunto com outras escolas da América e a Associação Mundial de Psicanálise – AMP. Eis o título do encontro: “A saúde para todos, não sem a loucura de cada um”. (Confesso que, neste momento, no qual acabo de escrever o referido título, fiz um ato falho ao substituir, vejamos, “A saúde”, por “A loucura”, de maneira que aqui se torna, segundo minha leitura, anúncio mesmo do que se tornou, em todo caso, apreendido especialmente ao longo do dias do Evento).
Ao longo dos trabalhos do Enapol, podia-se localizar algo que decerto fazia a comunidade geral das apresentações, a saber: o modo de vida singular à cada sujeito, como aquilo que deve sempre ser objeto de privilégio à ética e a técnica da psicanálise (nomeadamente, dos analistas), uma vez que se está a tratar da “diferença absoluta”, daquilo que em última instância diz respeito ao sujeito em seu grau mais íntimo e intransferível de subjetividade, segundo os protótipos singulares, a linguagem, os arranjos subjetivos e o desejo de cada exemplar humano.
Aos profissionais “psi” cabe de um modo particular o trabalho fundamentalmente dissociado das proclamações nomeadamente “científicas” da psiquiatria mal-dita, compondo nossa práxis por aspectos e princípios que possam, portanto, vir a corresponder ao sujeito da maneira mais próxima do factual espectro de coisas que formam os seus modos, universal, particular e singular de constituição de si mesmo.
Sustentar a posição de guardião do desejo e da singularidade humana não constitui atributo exclusivo da psicanálise, na medida em que os diálogos, rumo à complexidade, fazem mais sentido na medida do gradativo fomento de suas possibilidades/potencialidades e, portanto, da contingência dos tão essenciais encontros.
Há muito, o doutor Sigmund Freud já nos alertava para o que hoje se nos apresenta sob a forma de um esteio de “delírios sem medida”. Tomando o luto como ponto de equivalência a outras questões, escreve Freud:
"É digno de nota que jamais nos ocorre ver o luto como um estado patológico e indicar tratamento médico para ele, embora ocasione um sério afastamento da conduta normal da vida. Confiamos que será superado após certo tempo, e achamos que perturbá-lo é inapropriado, até prejudicial" - (Sigmund Freud, em "Luto e melancolia", 2010 [1914-16], p.172).
Viva, assim, a sabedoria freudiana.
* Este texto é de inteira responsabilidade do autor.O que nele já se pode ver, contrariando com propriedade a recomendação da clínica psicológica e psicanalítica, tornada consenso segundo a realidade peculiar à própria soberania clínica, segundo a qual é algo prudente aguardar o que virá a se inscrever naquilo que concerne às manifestações pessoais do paciente ao longo do tempo do tratamento, para só então se poder definir, portanto, com um grau mais preciso de rigorosidade, um diagnóstico aos pacientes, neste caso, em particular, o tempo já é suficiente em si mesmo, pois a cada nova vez que este livro é retomado para reelaboração (e também outros livros, como este), nós não estamos mais, de modo algum, no campo do estabelecimento de hipóteses, mas de uma conclusão efetivamente convicta, de que se está em questão um caso decididamente patológico - de seu ponto de vista propriamente social –, pois, partimos do pressuposto de que os sujeitos responsáveis pelo conteúdo em geral deste livro não são psicóticos, mas, não obstante, delirantes.
Outra questão: A “rede de cumplicidade” da qual fala o filósofo Cornelius Castoriadis, ao longo de seus escritos (particularmente naqueles referentes à “ascensão da insignificância), está expressa em toda a sua clareza, na medida em que a perspectiva utilizada propriamente por tal psiquiatria nos faz ver como algo certo e extremamente intrincado, o nada incipiente enlace entre Ciência e Capital, pelo fundamental intermédio da indústria mesma dos fármacos, e não apenas por isso, mas, igualmente, por todo o aparelho sistemático que, em última análise, faz convergir ao asseguramento das condições da grande teia de (des)razões dos que o tomam e fazem em seu grau maior de poder.
A adesão à norma constitui a “singularidade científica” da psiquiatria, de maneira que, para aqueles que a fazem sem um bom-senso, sequer mínimo, à singularidade dos sujeitos resta tratar tão somente, ao invés de se conceber como algo “natural” do humano, situa a concepção a partir do recurso do significante “patológico”.
A esta altura, não estamos mais situados na famigerada discussão a respeito da linha que faz diferir o normal do patológico, pois aí há tenuidade, e, neste caso, isso não está presente, haja vista o absurdo com o qual nos deparamos, por exemplo, em categorizar a timidez como uma patologia, sim, como enfermidade mental. O que se pretende, a partir de tal maneira, é, no fim, um julgamento tresloucado acerca da “natureza humana”, a qual se constitui fundamentalmente em meio à Cultura, e, portanto, na forma mais elástica da experiência universal referente aos “estilos de existência”, de modos de ser que respondem pelo quadro geral do estado de coisas humano, que, pelo conjunto de seus traços, responde, por sua vez, pela sustentação subjetiva (e mesmo objetiva) dos sujeitos.
Em junho de 2011, estive na cidade do Rio de Janeiro, onde participei no mês de junho do V Enapol (Encontro Americano de Psicanálise de Orientação Lacaniana), realizado pela Escola Brasileira de Psicanálise – EBP em conjunto com outras escolas da América e a Associação Mundial de Psicanálise – AMP. Eis o título do encontro: “A saúde para todos, não sem a loucura de cada um”. (Confesso que, neste momento, no qual acabo de escrever o referido título, fiz um ato falho ao substituir, vejamos, “A saúde”, por “A loucura”, de maneira que aqui se torna, segundo minha leitura, anúncio mesmo do que se tornou, em todo caso, apreendido especialmente ao longo do dias do Evento).
Ao longo dos trabalhos do Enapol, podia-se localizar algo que decerto fazia a comunidade geral das apresentações, a saber: o modo de vida singular à cada sujeito, como aquilo que deve sempre ser objeto de privilégio à ética e a técnica da psicanálise (nomeadamente, dos analistas), uma vez que se está a tratar da “diferença absoluta”, daquilo que em última instância diz respeito ao sujeito em seu grau mais íntimo e intransferível de subjetividade, segundo os protótipos singulares, a linguagem, os arranjos subjetivos e o desejo de cada exemplar humano.
Aos profissionais “psi” cabe de um modo particular o trabalho fundamentalmente dissociado das proclamações nomeadamente “científicas” da psiquiatria mal-dita, compondo nossa práxis por aspectos e princípios que possam, portanto, vir a corresponder ao sujeito da maneira mais próxima do factual espectro de coisas que formam os seus modos, universal, particular e singular de constituição de si mesmo.
Sustentar a posição de guardião do desejo e da singularidade humana não constitui atributo exclusivo da psicanálise, na medida em que os diálogos, rumo à complexidade, fazem mais sentido na medida do gradativo fomento de suas possibilidades/potencialidades e, portanto, da contingência dos tão essenciais encontros.
Há muito, o doutor Sigmund Freud já nos alertava para o que hoje se nos apresenta sob a forma de um esteio de “delírios sem medida”. Tomando o luto como ponto de equivalência a outras questões, escreve Freud:
"É digno de nota que jamais nos ocorre ver o luto como um estado patológico e indicar tratamento médico para ele, embora ocasione um sério afastamento da conduta normal da vida. Confiamos que será superado após certo tempo, e achamos que perturbá-lo é inapropriado, até prejudicial" - (Sigmund Freud, em "Luto e melancolia", 2010 [1914-16], p.172).
Viva, assim, a sabedoria freudiana.
domingo, 11 de março de 2012
SEMINÁRIOS DA ESCOLA BRASILEIRA DE PSICANÁLISE - RJ
Seminário: A distinção entre o discurso da histeria e o feminino
Em 2012, prosseguiremos com a pesquisa sobre o tema: “ A distinção entre a posição histérica e a posição feminina.” Adotaremos como leitura básica alguns capítulos dos seminários 17, 20 e 23 de Lacan, visando aprofundar os conceitos que situam como a orientação lacaniana distingue de forma radical, a maneira como os homens e as mulheres
se posicionam em relação a falta-a-ser. Pretendemos com este estudo, além de situar a posição feminina, refletir sobre as particularidades do feminino na contemporaneidade e os efeitos na clinica. Os seminários são intercalados, um clínico e outro teórico.
Data de início: 6 de março
Funcionamento: primeiras e terceiras terças-feiras de cada mês.
Horário: 20h30
Local: Rua Lemos Cunha, 442. Icaraí- Niterói.
Tel de contato: 9612-1190
Coordenação: Ana Lúcia Garcia de Freitas
_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________
“O objeto a e os conceitos fundamentais”
Data de inicio: 06 março de 2012
Freqüência: As primeiras e terceira terças feiras do mês.
Proposta:
Daremos continuidade ao trabalho iniciado em Niterói no ano 2005 retomando e atualizando os conceitos: inconsciente, pulsão, transferência e repetição no marco delimitado pelo “objeto a”. Nessa direção examinaremos a partir de casos clínicos publicados as conseqüências que o “objeto a” promove na experiência psicanalítica.
Bibliografia:
Freud, S. Inibições, sintoma e angústia in Ob Completas, Imago Ed. RJ 1988.
Lacan, J. Seminário livro 10 “A angústia”, Zahar Ed. RJ.
Lacan, J. Seminário livro 11 “Os quatro conceitos fundamentais em psicanálise” , Zahar Ed. RJ.
Miller, J. A. “Silet”, Zahar Ed. RJ.
Local: Rua Lemos Cunha 432 Icaraí Niterói
Informações:22874419ou21744416
Coordenação: Maria Silvia Garcia Hanna
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Seminário sobre as psicose ordinárias: questões diagnósticas
Reinício dia 13 de março, terça feira, às 11hs.
As duas reuniões deste mês serão dedicadas a leitura e contribuições ao texto de Freud: O recalque, de 1915.
A riqueza do texto de Freud, nos permitirá prosseguir o trabalho no vasto campo de pesquisa ao qual este seminário se dedica.
Nas demais reuniões, deste ano, trabalharemos o Seminário 23 de Lacan, O Sinthome.
Nossos encontros serão as segundas e quartas terças feira do mês, respectivamente, dias 13 e 27 as 11 horas na sede da Seção Rio.
Coordenação: Lenita Bentes e Eliana Bentes Castro
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Seminário: Leitura de Mallarmé le livre, de Joseph Attié
Coord: Maria Isabel Lins
Freqüência: quinzenal sextas-feiras de 10:30h ás 12h
Sede da EBP/Rio sala 2
________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Clinica do real: o analista da clinica do sinthome.
Estudaremos os conceitos que sustentam o analista na clínica do sinthome, uma clinica que ao não fazer do objeto a sua última palavra faz do gozo opaco do sinthome o ponto a partir do qual a palavra se orienta porem. Desse modo não há uma palavra que possa se tornar a ‘ultima palavra’, há a ‘palavra final’ de uma experiência, aquela que para cada sujeito assinale um gozo absoluto, fora de sentido. Um significante que não represente nada, mais que seja significante de um gozo único, onde se possa situar o resto incurável chamado de sinthome.
Inicio: 09 de março de 2012
Toda 1ª e 3ª sexta feira do mês
Local: sede da EBP - Rio
Horário: 14:30hs
Bibliografia:
Jacques Lacan, O Seminário livro XXII, O sinthoma. (Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 2009)
Curso psicanalítico de J. –A. Miller: “Los divinos detalles” (Paidós, Bs. As. 2010).
Coord: Mirta Zbrun
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Seminário: Televisão
Reinício 9 de março
Freqüência: quinzenal sextas-feiras de 12h ás 13:30h
Sede da EBP/Rio Auditório
Coord: Stella Jimenez
EBP Rio: Rua Capistrano de Abreu, 14 – Botafogo – Rio de Janeiro - (21) 2539-0960
EBP Rio: Rua Capistrano de Abreu, 14 – Botafogo – Rio de Janeiro - (21) 2539-0960
Assinar:
Postagens (Atom)




















